Segunda-feira, Outubro 12, 2009

o que seria de mim sem você, my beloved chérie?

minha querida passarinha-perdigueira
my beloved chérie
o que seria de mim sem a sua crença?
decerto que meus sonhos
já se teriam afogado em lágrimas
já teriam sido enterrados para sempre
nem ao menos eles estariam esparramados ao mar
como as mais preciossas coisas de aimar
merci por acreditar em mim
quando eu mesma já tinha desistido sem saber
merci por me ninar, me mimar, me consolar
o que seria de mim sem você?

para p. de m. em 12.out.2009 ~ 13:32

Terça-feira, Setembro 15, 2009

caminhos do coração

o outro escreve, espicaça, dança – frente a teus olhos
o outro fala, conta, afaga, encanta.
e depois de te deixar louco,
veste uma capa e parece ser outra pessoa.

o outro está confuso
o outro não consegue saber nem quem ele próprio é
nem onde ele está
nem para onde deseja ir

você lê as palavras, você ouve as palavras, aspira os perfumes
você vê tudo o que o outro pinta
você sente a sua presença
o contato da pele, o som da voz

e o coração ~ confuso com tanta confusão ~ sofre.

você o classifica de daltônico, astigmata, míope
você o deslinda como alguém que enxerga tudo trocado
embaralhando os sentimentos
como se a fome ou o cansaço se pudessem confundir com o Amor

será que podem?

os caminhos que levam ao coração
têm aclives, esconderijos, trilhas de mata fechada, armadilhas
não são fáceis nem simples de compreender

ele [o coração] também tem sentimentos
que nem a gente mesmo entende bem o que é

em contrapartida, há recantos ensolarados
lugares de se fazer pique-nique
e tomar chá da tarde com vestidos enfeitados

pequenos oásis no meio do caminho
para que não percamos ~ de vez ~ as nossas esperanças.

eu realmente não sei se o seu coração é daltônico
só sei que o amo, seja como ele for.

in reply @flavito ~ ‘post-it olhos-coração

fumaças

e eu, do outro lado do vidro, sorrio
vejo suas mãos ~ agora aquecidas ~
envolvendo a caneca de chocolate pelando de quente
os olhos vivos e vívidos
sempre repletos de curiosidade
curiosidade em desvendar o mundo.
os olhos é que sorriem
embora apenas os cantos dos lábios é que se contorçam um pouco

ali está o tobogã, a neve que se estende até o infinito
pessoas desconhecidas num lugar desconhecido

nós não somos desconhecidas
~ ou será que somos? ~
mas seria improvável que nos encontrássemos justo ali

estendo a mão, estou encapotada.
minhas bochechas são ainda mais vermelhas
do que o rouge com o qual as gosto de pintar
minha respiração faz fumacinha contra o ar gelado

você agora sorri um sorriso inteiro
inteiro em todos os sentidos
e nas fumaças ~ a minha e a sua ~
eu volto para o lugar onde meus pés se encontram
mas guardo você sempre no coração.

aqui, mas lá, aí, sempre com você
tua, mikota ~ 15.set.2009 11:25

in reply @pakalil ~ ‘smooth chocolate’

Domingo, Agosto 09, 2009


adieu
ou
i wish i was gaudí



o lindo das laranjas, bolo ou poesia?

foi ao supermercado e
não pôde deixar de se maravilhar
com o lindo das laranjas.

eram tão ingênuas
que teve vontade
de fazer um bolo de laranja com casca.
ou uma poesia.

chegou em casa e,
ao invés disso,
fez suco para sua gelatina.

a poesia teria que esperar...

para meu pai

ontem na estrada
triste e acabrunhada
magoada e infeliz
vi a lua correndo por entre as árvores
foi a coisa mais bonita
a lua redonda, cheia e grávida
plena e segura de si
corria feliz
cortando céus, estrada, árvores, matas, verdes, pretos
e corações magoados

lembrei "da menina que fui um dia"
dos passeios para a casa da obatchan
do meu pai dirigindo o velho opala
opala - nome tão bonito

pensando agora posso até quase sentir o cheiro que vinha do automóvel
eu sempre enjoava
mas adorava olhar a lua a brincar na janela
e as estrelas
e os postos
e os sorvetes de cereja
e o roda-roda
e as mexericas de goma

infância deliciosa e inesquecível

hojé é dia dos pais
e eu tenho saudades do meu
ele está longe e eu não vou vê-lo
mas o guardo em meu coração
apesar de tudo

Sexta-feira, Agosto 07, 2009

constelação de carneiros

sim
os carneiros carneirantes vieram me encontrar
um, dois, dez – 1240
a constelação inteira de carneiros enuvelolados
apareceram acima do mar
e também trouxeram escondido
a convenção de dragões
que sempre acontece junto ao pôr-do-sol
eu e ella recebemos de coração aberto
essa remessa-rebanho
que meu irmão fofo enviou
de lá da terra que tem perfume de capim-limão
para me encontrar
aqui, no mar do japão

7.ago.2009 ~ 17:03
para f.

dia da noite no céu sem lua


tinha passarinhos amarelos
roupas coloridas no varal
uma grade rosa sujo
emoldurando tudo
e mais um pouco

e mais um pouco

de inspiração mangueirense
puído e mal-cuidado
o predinho espremia-se apertado
ao lado de construção gigantesca, abobalhada e catatônica

era sujo
era feio
e no topo vivia um corticinho

mas tomei amor por ele
e assaltou em mim a vontade de ali morar

no meio do musgo
da pintura descascada
do varal improvisado
dos passarinhos amarelos presos
no dia da noite no céu sem lua

7.ago.2009 ~ 15:29

Quarta-feira, Julho 08, 2009

céu de abalone

dedicatória: para f.
para ler ouvindo: castle time por chris garneau


caminhou
olhou no rebordo do poço
e lá dentro, embaixo, viu
não o seu reflexo

mas sim
a nuvem peleta que escondia o esplendor do sol
pintando tudo de um laranja brilho e, ao mesmo tempo, fosco
e por sobre sua cabeça
nuvens brancas fiapentas se dissolviam
em róseos-violáceos e azuis-esverdeados
como se fossem uma esquecida e não tão benquista abalone (cheirando um pouco a ranço)
contra o chumbo-azulado daquele céu de inverno

o que não sabia
era que as nuvens nuvelolentas queriam ocultar a convenção de dragões
mas, era inútil, porque em seu seio brilhavam com tanta vontade
que era besteira, puerilidade ou insensatez
acreditar que podiam esconder aquilo de alguém.

por um minuto achou que seria engolida pelo poço.

Terça-feira, Junho 23, 2009

safiri, todo meu amor

ERA UMA VEZ uma cachorrinha chamada safiri.

ela morava no lugar yellow.

um dia, passando por yellow, nossos olhares se cruzaram e eu soube que, a partir dali, nossos destinos estariam ligados para sempre.

ela foi morar comigo.

juntas passeamos, viajamos, brincamos de bola e nos aconchegamos na nesga de sol que batia na sala.

foram poucos, mas intensos momentos.

hoje, ela mora no jardim do meu melhor amigo.

e pra sempre no meu coração.

love toujours, miki

Sexta-feira, Junho 05, 2009

a menina que passou para o lado de lá

por miki w. [narrativa] e ju cordaro [ilustras]


era uma vez uma menina que passou para o lado de lá.

o lado de lá era transparente e do fiapo de porta nasceu uma pequena bromélia esquisita.

e enquanto conjecturava o que faria em seguida, uma prima daquela bromélia começou a brotar nos pensamentos da menina...


do lado de lá do fiapo de porta, havia árvores estranhamente enoveladas.

será que tinha pajaritos quentinhos lá dentro?

a menina achou que poderia ficar para sempre observando e fruindo daquela paysagem exquysyta.

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a ju é uma amiga muito muito muito querida e multi-talentosa. seus desenhos são lindos. sua pintura é linda. sua cerâmica é linda. seu coração é lindo e ela é linda! conheça mais do seu trabalho passeando no seu flickr!