ontem na estrada
triste e acabrunhada
magoada e infeliz
vi a lua correndo por entre as árvores
foi a coisa mais bonita
a lua redonda, cheia e grávida
plena e segura de si
corria feliz
cortando céus, estrada, árvores, matas, verdes, pretos
e corações magoados
lembrei "da menina que fui um dia"
dos passeios para a casa da obatchan
do meu pai dirigindo o velho opala
opala - nome tão bonito
pensando agora posso até quase sentir o cheiro que vinha do automóvel
eu sempre enjoava
mas adorava olhar a lua a brincar na janela
e as estrelas
e os postos
e os sorvetes de cereja
e o roda-roda
e as mexericas de goma
infância deliciosa e inesquecível
hojé é dia dos pais
e eu tenho saudades do meu
ele está longe e eu não vou vê-lo
mas o guardo em meu coração
apesar de tudo
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2 comentários:
Miki, lendo esse poema sinto meu coração quente, de saudade, de amor jamais esquecido, com vontade de poder abraçar meu pai...que mora nas nuvens. Um dia meu filho (qdo tinha uns 2 anos e meio) disse que meu pai estava "olhando para mim". Silenciei.
Bj,
Adriana
adriana,
ler seu comment me fez chorar de uma saudade que a gente não sabe bem o que é, nem onde mora. me fez chorar de gratidão, de alegria, de compartilhamento.
merci por palavras tão ternas e profundas. merci por ler meus pensamentos aqui, ali e acolá :).
que lynda a história do teu filho. não silenciei, mas chorei emocionada.
meu pai não mora perto, mas ainda assim não é longe :). paradoxalmente, ele nunca soube que escrevi isso aqui [ele não é a pessoa do computador ;]. ele é seriíssimo e não consegue demonstrar o seu amor assim de maneira deliberada e solta. mas sei o quanto ele me ama.
lendo o seu comment, pensei que finalmente talvez seja o momento de eu escrever esse poema e botar no correio para ele =^.^= afinal, nunca é tarde para dizer 'eu te amo'
beijos, miki
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