Terça-feira, Outubro 16, 2001

se essa noite chovessem meteoros

ah! se esta noite chovessem meteoros e a minha casa ficasse com o chão forrado de estrelas… ah… acho que eu nem me importaria que você tivesse partido…

mas eu encosto o meu rosto na vidraça da janela e olho para a estrada na esperança de que você apareça na curva… mas, em vão…

por isso sonho com uma chuva de meteoros e eu a dançar no meio deles, enlouquecida e esquecida da vida…

mas, nada… minha angústia aumenta à medida que as horas passam e eu sinto que nem você aparecerá na curva do caminho e que nem choverão meteoros para forrar o meu chão de estrelas… choro, um choro pequeno e silencioso que ninguém quase percebe…

a noite vai alta e tudo é vazio… sinto-me apática e sem coragem para nada.

abro uma caixa onde há velhos guardados, fotos amareladas e cartas que, um dia, tiveram algum sentido… eu era feliz e me sentia serena. olho para aquele passado impresso na caixa e não sinto nada, só o mesmo vazio que impera.

se agora mesmo a morte adentrasse por aquela porta e me lançasse o seu punhal, eu não me oporia a ir, pois nada mais tem sentido.

mas, ah! se esta noite chovessem meteoros, talvez meu corpo se incendiasse e eu, incandescendo, poderia sair ao teu encontro e te envolver com a minha luz… mesmo que você nunca soubesse o que se passou… mesmo que, para você, tudo não passasse de um belo sonho…

ah! se esta noite chovessem meteoros…

marcela ribeiro 15.10.2001

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