hoje talvez o que restava da inocência e da pureza tenha sido defenestrado, exorcizando para sempre o espectro da tua presença e as lembranças de dias que se foram. e talvez eu tenha podido começar a enxergar que você é, como qualquer outro, apenas humano e que muitas afirmações que existiam a seu respeito eram ilusões que eu talvez nunca tenha querido – por motivos óbvios – enxergar.
sei que hoje você se foi e pertence – definitivamente – a um passado que – não nego – foi muito feliz e do qual – estou cada vez mais convencida disso – eu dificilmente me esquecerei ou me desvencilharei. talvez eu nem queira mesmo me desvencilhar e o guarde com muito carinho numa caixa dourada completamente despojada mas, acima de tudo, especial, porque só se é jovem uma vez na vida e os arroubos da juventude, esses, a gente nunca esquece e sempre se lembrará deles com nostalgia e paciência.
mas hoje talvez eu possa te abraçar e sorrir para você com passos mais seguros sem temer que o passado possa – de alguma forma – me engolir. talvez eu tenha descoberto que você é apenas humano e aquele, aquele era apenas o retrato perfeito que eu quis que você fosse.
foi um passado lindo, do qual eu sempre terei saudades, mas sinto que hoje estou mais forte.
as estrelas, nessa noite fresca, piscam e repicam e, onde quer que você esteja, eu espero que possa ver o meu sorriso.
m.r.
3.jan.2002
Sexta-feira, Janeiro 04, 2002
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