será que eu ouço a tua doce respiração ou será que eu sonho mesmo?
a tua face tão perfeita, meu anjo. a tua risada tão folgada… voando por entre as nuvens, viajando por entre os mares…
eu me lembro, eu me esqueço…
teus cabelos ao vento… e você sempre a dizer que não gostava deles… ora, meu tolo anjo, que idéia! e a tua voz? melodiosa como um trinado do mais mavioso canário…
e você se foi… e chorou… e entristeceu… e emudeceu… e arrancou os cabelos, pintou a pele, calou-se, enfim… enfim, só, só consigo mesma… e eu a sofrer por te ver sofrer… sem saber por que… sem saber por quem…
olho no horizonte… a fina chuva bate na janela… e no vidro eu vejo teu rosto que, mesmo triste, permanece iluminado. é, resolvo ir a teu encontro… ainda que tenha a pele marcada e os pulsos marcados e o coração marcado… e ainda que eu tenha o coração machucado… percebo que ainda te amo e não consigo deixar esse sentimento que não me abandona nunca… eu choro, e minhas lágrimas são de uma dor doída que não consegue saber bem por que dói…
faz tanto tempo e eu ainda não consigo me olhar no espelho…
a chuva molha o meu rosto, mas eu não importo… eu olhos nas ruas para os olhos das outras pessoas… e nunca encontrei nada que brilhasse tão intensamente quanto os seus olhos…
por que você precisa sofrer tanto assim, eu não entendo… lembro de um retrato teu… e da felicidade intensa que vi nele… como pode uma felicidade tão intensa que exala até de um retrato? que momento mágico é esse que se deixou capturar pela lente de… alguém?
eu me pergunto, sem obter a mínima chance de resposta, por que você se foi com lágrimas nos olhos e o coração desfeito… e por que não atendeu mais aos meus telefonemas e nem respondeu as minhas cartas?
eu não consigo atinar por que você se foi… e se o meu coração ficou também desfeito, por que você não quis saber?
4.out.2001
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