Sexta-feira, Junho 21, 2002

agora eu sei

agora eu sei que as coisas que, até pouco tempo atrás, críamos verdades universais... talvez possam ter facetas diferentes.

estou tão cansada e meu corpo quer tanto descansar, mas eu acho importante escrever... então eu escolhi uma pena muito bonita e, mesmo querendo dormir, abri o meu livro de memórias.

e de repente no meio da tarde eu tive saudades de pessoas incríveis que estavam longe (e outras que nem tão longe) e eu quis estar ali a seu lado, abraçando-as longamente e acariciando suas mãos. e sorrindo e rindo e vivendo e congelando momentos felizes para sempre... para sempre podermos voltar e descongelar um momento e viver uma nova vida dali, um ponto de partida diferente, onde podíamos desfazer mal-entendidos e dar a nós mesmos e aos outros uma nova chance de reencontrar um velho amigo, de perdoar alguém querido, de ser perdoado por um inimigo que um dia já foi um amigo.

nesse meu sonho, eu vejo as pessoas se descongelarem de uma foto do passado. elas estão numa geleira translúcida, quase sempre sorrindo e se tocando nas mãos ou nos rostos. no momento, elas dão um passo à frente e a geleria, como mágica, desaparece e, saindo de uma foto antiga, essas personagens fantásticas caminham para o sol do dia e tudo, tudo é diferente. há um mundo de possibilidades a ser explorado e a vitrola toca uma música terna que entra e cala fundo no coração. tudo é um novo mar de possibilidade.

e eu olho a foto e as nossas sombras se afastarem...

m.r.
20.jun.2002

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